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Tempo no transito custa muitas horas pessoais e aumento no estresse. Existem alternativas?
Rita Palladino / Press & Midia Não adianta reclamar. Por mais que agendemos nossos compromissos, tentando aproveitar ao máximo nossas horas, sofremos ao longo das 24 horas do dia inúmeros contratempos alheios à nossa vontade. No trânsito, por exemplo, não há como prever um acidente que poderá deter o fluxo de veículos nos prendendo em meio a um congestionamento sem fim. Nem mesmo há como prever que o ônibus, o trem ou o metrô estarão no horário e em condições humanas para se circular com eles. Isso faz com que o tempo útil diminua cada vez mais.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Denatran em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, o motorista brasileiro perde, em média, duas horas diárias no trânsito de suas cidades, sendo que o paulistano é o que mais fica preso em congestionamentos, perdendo cerca de três horas por dia.
Assim, o dia de muitos passa a ter 22 horas e, com isso, as pessoas transformam os ônibus e automóveis em salas de estar e escritórios, onde ouvem música e notícias; leem jornais revistas e livros; estudam e até trabalham, fechando negócios via celular, muitas vezes infringindo o Código Brasileiro de Trânsito.
Há os que carregam blocos de papel e caneta para escrever ou desenhar, os que andam com seus laptops para escrever aquele contrato, ou para acessar a internet usando a tecnologia 3G, com a qual até o computador portátil será descartável, uma vez que até do celular se pode mandar e receber mensagens, navegar onde se quer, a um custo astronômico.
Mas, o que se pode fazer para não haver tanto desperdício de tempo no trânsito, ou mesmo uma solução para diminuir esse trânsito? Primeiro temos de reconhecer a nossa culpa no caos. A mesma pesquisa do Denatran constatou que mais de 50% das pessoas entrevistadas assumiram que nada fazem para acabar com os congestionamentos e quase 70% delas andam sozinhas em seus veículos, sem sequer reconhecer que também são responsáveis pelos congestionamentos. Talvez ressuscitar a velha moda da carona seja uma boa pedida, já que as empresas estão indo para lugares cada vez mais distantes, sem pensar que seus funcionários têm de se locomover para o trabalho.
Há ainda a outra parte. Os investimentos em obras públicas não acompanham o crescimento populacional, nem o aumento no trânsito. Mesmo com as novas obras do Metrô, o aumento no número de trens etc., isso não chega de suprir uma cidade enorme como São Paulo, que além dos seus 10 milhões de habitantes ainda tem uma população flutuante de mais 3 milhões de pessoas.
Talvez num futuro que parece cada dia mais próximo tenhamos de pensar seriamente em fazer um home-office que, apesar de nos excluir do contato humano, ao menos não nos estressa no percurso casa-trabalho.
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