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Médicos britânicos defendem que preguiça deve ser considerada doença
Rita Palladino/ Press & Mídia
A preguiça é um termo tão conhecido no Brasil, que até um dos “heróis” de nossa literatura (Macunaíma, de Mario de Andrade), era conhecido por se vangloriar de ter a “maior preguiça”.
A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Também alguns dos povos pré-colombianos caracterizavam o ócio, ou preguiça, como crime capital.
“A palavra preguiça tem vários significados, como pouca disposição, inatividade, moleza, falta de autoconfiança, procrastinação, falta de resistência moral e psicológica para desafios, e é encontrada com facilidade”, diz o analista Emanuel Cabral, afirmando que ela faz com que o indivíduo se sinta incapacitado e fuja de responsabilidades e oportunidades.
Outro personagem literário nacional, o Jeca Tatu de Monteiro Lobato, também “sofria de preguiça”, mas ela mascarava doenças. Mas e se a preguiça for uma doença em si?
É o que diz um texto publicado no "British Journal of Sports Medicine", no qual os médicos Richard Weiler e Emmanuel Stamatakis, defendem que a preguiça deve ser considerada uma doença, porque a ligação entre sedentarismo e saúde comprometida é muito forte. Segundo o artigo, eles explicam que "devido à associação significativa entre morbidade e mortalidade, propomos que talvez a inatividade física também deva ser considerada para o reconhecimento de uma doença."
A obesidade já é classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde, observa Weiler, médico especialista em esportes e exercícios do Imperial College Healthcare, mas ele diz que “o excesso de peso era, muitas vezes, pelo menos parcialmente, resultado de uma causa mais profunda: a falta de exercícios”.
"O dinheiro circula para tratar os sintomas da inatividade física - obesidade, diabetes, hipertensão, doença cardíaca - mas não a raiz do problema", continua. Em maio deste ano, Weiler afirmou que há provas de que não estar em boa forma física causa mais doenças do que ser gordo.
Ele continua afirmando que as pessoas “precisam encarar os fatos e assumir a responsabilidade pela sua própria saúde”. Weiler ainda informou que estudos recentes mostram que apenas uma em cada 20 pessoas praticam a quantidade mínima recomendada de exercícios físicos, mas ainda não existe nenhum plano para solucionar o problema.
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