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Interrupções

Atrasos e desculpas

Pessoas que se atrasam sempre ou que nunca entregam suas tarefas no prazo não mostram comprometimento

Rita Palladino/ Press e Mídia
Quem nunca ouviu um colega de escola dizer a frase: “desculpe, mas não deu para fazer a minha parte porque minha avó ficou doente”. Também se ouve muito de quem sempre chega atrasado aos compromissos coisas como “meu carro quebrou”, “o metrô entrou em greve” ou “fui atropelado por uma manada de búfalos”.

“Pois é. Para algumas pessoas, dar desculpas por seus constantes atrasos virou uma coisa tão comum que qualquer coisa serve, mesmo que seja algo estapafúrdio”, diz o colunista Mike St. Pierre, presidente da Morris Catholic High School e autor do artigo 6 reasons why makes sense to arrive early (Seis razões pelas quais faz sentido chegar cedo), publicado no New Jersey Daily Report.

No artigo, Mike demonstra que, no mundo corporativo, não há mais lugar para pessoas que sempre se atrasam e que pontualidade nas entregas de tarefas ou nos horários agendados conta pontos preciosos. “Quem chega cedo pode escolher o melhor lugar para sentar, pode se preparar melhor para uma reunião ou apresentação e não chama a atenção de todos por ter entrado por último, quando as coisas já estão acontecendo”, diz o autor, que também chama a atenção para o fato dos “atrasadinhos” aborrecerem as outras pessoas, que se sentem desrespeitadas.

Essa cultura quase patológica do atraso que alguns têm é um vício, que precisa ser, primeiramente, reconhecido por quem o tem, pois só assim poderá haver uma cura. Essas pessoas têm de ver que o tempo dos outros também é curto e apertado, e que se os outros conseguem fazer suas tarefas no prazo, ou chegar aos lugares no horário, também é possível emendar o atrasadinho, diz ainda o artigo.

A jornalista A. C. (o nome foi omitido a pedido dela), sofria dessa “patologia”, chegando tarde a todos os seus compromissos, fossem eles pessoais ou de trabalho, a ponto de seus colegas e amigos fazerem apostas sobre quantas horas ela se atrasaria. “Eu só percebi que tinha um sério problema no meio de uma viagem de trabalho ao exterior”, conta A. C.

“Fui convidada para uma press trip para cobrir uma grande feira alemã e nosso roteiro era muito extenso e com horários bem rígidos. No primeiro dia, eu, acostumada com os horários dilatados do Brasil, me atrasei e perdi tempo demais entre o despertar e o café da manhã. Resultado: quando cheguei ao ponto de encontro onde nos apanhavam para irmos ao evento, todos já haviam ido embora, menos um dos anfitriões que, além de me passar uma descompostura, queixou-se à minha chefia por minha irresponsabilidade e desrespeito”, diz a jornalista completando que naquela hora ficou muito zangada, mas hoje reconhece que aquela bronca a fez acordar para o seu problema.

Hoje, mais adaptada, A. C. reconhece que seus atrasos demonstravam total falta de compromisso com seu trabalho, com seus colegas, amigos, família etc. e que não se tornou uma xiita da pontualidade, mas que passou a se agendar e a trabalhar melhor com seus prazos, assumindo apenas aquilo que pode cumprir. “Aprendi, principalmente, a reconhecer que o dia dos outros também tem 24 horas e que temos de respeitar isso”, conclui”.

 
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