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Em um mercado global cada vez mais competitivo, ações voltadas à inovação são fundamentais para enfrentar a concorrência. Como conciliar a rotina diária, normalmente sobrecarregada, com a implantação de novos projetos?
Natalia Kfouri/MBPress As empresas procuram oferecer aos seus clientes produtos e serviços diferenciados. Para isso, precisam investir em inovação. Contudo, não é novidade que o ambiente corporativo possui uma rotina agitada e atrelada a inúmeras tarefas e compromissos. Então, como ainda ter tempo para criar e inovar?
Não raro essa é a principal queixa dos executivos. Eles sabem que é preciso inovação, e que a falta de novos produtos e idéias a médio e longo prazo pode ser extremamente prejudicial para a empresa. Entretanto, a dificuldade em conciliar a atual demanda com novos projetos é grande.
Com o tempo, essa dificuldade pode se transformar em frustração profissional, já que o grau de importância dado à inovação dentro das empresas é maior do que se imagina.
Segundo uma pesquisa recente do International Data Corporation (IDC), a inovação de produtos ficou em segundo lugar entre as principais preocupações dos executivos brasileiros na gestão corporativa.
Para transpor essa barreira, algumas companhias têm apostado em novas alternativas. Em geral, implantam núcleos dedicados à criação e adaptação de novas idéias, contratando profissionais especializados em diversas áreas que possam apresentar previsões tanto do custo como de futuras receitas a serem geradas com a implantação desses projetos.
Foi o que aconteceu com a Tempopar, empresa de soluções e serviços de assistência 24 horas baseada em Barueri (SP). “Temos um departamento de desenvolvimento e pesquisa que busca avaliar a satisfação de nossos clientes e criar novos produtos e serviços de acordo com suas necessidades, além de outros tipos de planos de adesão para os serviços que já temos disponíveis”, explica Ademar Grazzo, diretor de Novos Negócios da empresa.
Além das vantagens estruturais, a implantação de setores dedicados à inovação ajuda os executivos a gerirem melhor sua rotina de trabalho. A intenção não é transferir responsabilidades, mas ter uma equipe que possa orientar e ajudar a alcançar novas metas. “O núcleo é dotado da maior autonomia possível e procura interagir ao máximo com a equipe de vendas. É como se tivéssemos terceirizado uma empresa de criação para atuar dentro de nossa empresa”, acrescenta Gazzo.
A criação desses núcleos de gestão da inovação nas corporações em um primeiro momento implica em custos elevados, devido à expansão de setores e à contratação de funcionários, além dos investimentos em tecnologia. Mas, a longo prazo, essa “aposta” representa um incremento nas receitas, com a geração de lucros e aumento do faturamento. “Atualmente até já existem no mercado cursos voltados à área de inovação”, comenta Carlos Henrique Dias, consultor empresarial de São Paulo.
Entidades como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL), por exemplo, disponibilizam cursos de Gestão da Inovação específicos para empresas, com o intuito de orientar e auxiliar na implantação de projetos do gênero.
Para o consultor Carlos Henrique, medidas do gênero deverão fazer parte da realidade de boa parte das empresas no futuro. Segundo ele, essa tendência que se avizinha poderá contribuir, e muito, para mudar a cultura empresarial do país. “O Brasil ainda investe pouco em inovação se comparado com os padrões internacionais e os índices de países desenvolvidos, mas a expectativa é que isso mude o quanto antes”, conclui.
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