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Twitter: ferramenta corporativa

O sucesso atingido pelo microblog faz dele uma alternativa para alavancar a produtividade no ambiente corporativo. Empresas de setores distintos utilizam-no para publicar vagas de empregos, divulgar promoções e informações e até produzir conteúdo específico terceirizado


Rodrigo Capelo/MBPress
Como toda nova ferramenta que surge na internet, o Twitter foi desdenhado pelos céticos. A função, aparentemente simplória, resume-se em responder, em 140 caracteres, a pergunta “O que você está fazendo agora?”. O número de recursos, no entanto, torna o Twitter uma alternativa barata e de fácil acesso para aumentar a produtividade de empresas.

Cada usuário deve registrar-se no sistema, assim como em outras mídias sociais, como o MSN, o Orkut ou o Facebook. Em seguida, tem de criar uma lista de pessoas que deseja seguir virtualmente. Assim, todas as vezes que elas escreverem alguma mensagem, o conteúdo aparecerá na página inicial do seguidor.

A primeira impressão causada foi a de que seria mais um entretenimento para adolescentes desocupados, assim como o blog foi visto, no início, como um diário para garotas. Porém, a Aliz Inteligência Sustentável, empresa brasileira que atua na área de gestão fiscal e tributária, encontrou uma nova maneira de aproveitar o Twitter.

A agência divulga vagas de emprego por meio da ferramenta virtual. As oportunidades, reduzidas a textos curtíssimos, são enviadas a todos que decidiram segui-la no Twitter. “A intenção é manter um relacionamento com essas pessoas”, afirma Alessandra Bacci, responsável pela gestão de pessoas da companhia. “É também uma forma de atrair os talentos da nova geração.”

Segundo ela, apesar de ainda não ter contratado nenhum profissional por meio do Twitter, a empresa mantém relacionamento com aproximadamente 300 pessoas. Com 320 seguidores, a Aliz não se preocupa em expandir a qualquer custo esse número. “Esse é o grande diferencial do Twitter”, prossegue Alessandra. “Segue-nos quem quer, quem está interessado. Não fazemos nenhuma campanha para atrair seguidores.”

Roberto Loureiro, gerente de redes sociais da construtora Tecnisa, compartilha da visão da gestora. “Temos a consciência de que tem que ser algo voluntário”, declara. Para ele, quem procura a empresa no Twitter está interessado em receber informações e novidades do ramo imobiliário. E, por isso, é mais importante ter um número reduzido de seguidores que estejam realmente interessados na companhia.

A utilidade da ferramenta adotada pela construtora, entretanto, difere da estratégia da Aliz. A ideia, segundo o gerente de redes sociais, é disseminar conteúdo relevante. “A estratégia da Tecnisa na web é muito complexa, e o Twitter é um braço desse sistema”, explica Loureiro. Fotos, textos e promoções são enviados pela corporação a todos os seguidores no Twitter.

Responsável pela área, Roberto conta como a iniciativa surgiu. “Tudo começou com o intuito de divulgar conteúdo, e hoje vemos alternativas”, afirma. De acordo com ele, como a Tecnisa trabalha com e-commerce (comércio virtual), o Twitter serve atualmente para gerar tráfego para o site da empresa. “Hoje, 15% das visitas do site vêm de meios gratuitos, como o Twitter”, declara.

            Fenômeno duvidoso

O microblog desponta na internet como um novo fenômeno. Segundo dados da Nielsen Online, corporação que mede o tráfego na web, em fevereiro de 2008 o Twitter possuía 475 mil usuários registrados. Um ano depois, esse número subiu para cerca de 7 milhões, o que representa um acréscimo de 1.382% em apenas 12 meses. Outras ferramentas famosas, como o Facebook, obtiveram 228% de crescimento no período.

Outro dado relevante registrado no mesmo mês, principalmente para empresas que desejam utilizar o Twitter para alavancar a produtividade, é a faixa etária dos usuários. A maior parcela se concentra entre os 35 e 49 anos, com 41,7%. Crianças e adolescentes, entre dois e 17 anos, compõem apenas 3,6%. Mais um indício de que o Twitter não é direcionado ao público jovem.

Afirmar, no entanto, que o microblog é uma revolução virtual pode ser uma escolha errônea, apesar de comum. Há quem diga que ele será o grande concorrente do Google, pois o sistema de busca do Twitter é mais instantâneo e eficaz. Porém, números da Nielsen Online divulgados recentemente mostram indícios de que essa pode ser apenas mais uma febre que surge e desaparece na mesma velocidade e proporção.

De acordo com a pesquisa, 60% dos fãs do Twitter abandonam a ferramenta um mês após o cadastro. Apesar da ascendência avassaladora no número de usuários, a retenção de apenas 40% deles pode ser prejudicial no longo prazo. Ou seja, ainda que a quantidade de pessoas que ingressam no Twitter seja enorme, a perda de usuários pode ser ainda maior.

Mesmo assim, empresas como a agência de comunicação integrada e marketing Cruz e Ferreira oferecem uma espécie de terceirização do Twitter. O serviço consiste na atualização regular feita por profissionais especializados. “Lançamos o produto na semana passada e já estamos com dez propostas em andamento”, revela Armindo Ferreira, diretor e fundador da empresa.

Além de oferecer conteúdo para o Twitter, a Cruz e Ferreira ministra treinamentos para empresários, com o intuito de ensiná-los a utilizar novas mídias. “Muitas empresas ainda estão assustadas com tudo isso”, afirma o diretor.

Formado em comunicação social, com MBA em Marketing, Ferreira acredita que o relacionamento entre empresa e cliente é o maior desafio e, por isso, a quantidade de caracteres do Twitter não atrapalha. “Depois que essa relação foi criada, 30 segundos ou 140 toques não importam”, explica. “Não me espantaria se, no futuro, 100 caracteres bastassem.”

 
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