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Organização

Organização não é perda de tempo

Rita Palladino/ Press e Mídia

Durante a infância, muitas crianças acostumaram-se a ouvir algumas frases padronizadas de seus pais, do tipo: “já arrumou seu uniforme e seu material para a escola amanhã?”; “já tomou banho e escovou os dentes?”; “porque ainda não arrumou seu quarto?”.

É claro que a criança faz o que tem de fazer, com mais ou menos boa vontade, mas o importante aqui é estabelecer que os pais estão passando uma lição valiosa a seus filhos, chamada de ‘senso de organização’, que acaba, com o tempo, tornando-se um hábito, como tomar banho todos os dias ou escovar os dentes após as refeições.

Mas, mesmo com todo esse ensinamento passado dos pais para os filhos, muitas pessoas simplesmente não conseguem (algumas nem tentam), manter um mínimo nível de organização em tudo, e isso acaba se refletindo, negativamente, em seus locais de trabalho.

Quem já não teve um colega, cuja mesa de trabalho mais parece com uma montanha de entulho, com papéis amontoados, canetas e lápis espalhados em locais inacessíveis, telefones enterrados em algum lugar e “coisas” guardadas que há muito deveriam ter encontrado a lixeira?

De acordo com a psicóloga Leila Spekla, o senso de organização, que antes era considerado inato no ser humano, está longe de ser isso e, se não foi aprendido durante a infância, terá de ser desenvolvido em alguma parte da vida. “Pessoas que não conseguem organizar minimamente seus objetos de trabalho, com os quais têm de lidar todos os dias, perdem tempo e, claro, a confiabilidade de suas chefias, sem falar na perda de respeito de seus colegas de trabalho. Afinal, quem não se irrita com uma pessoa que anota um número de telefone e depois não sabe mais onde está? Ou que perde um documento importante porque, no meio da bagunça, a pessoa não sabe onde colocou?”.

A psicóloga também afirma que essa ‘bagunça organizada’, como insistem em chamar os que fogem da ordem, não é sinal de criatividade, mas uma demonstração de indecisão com relação ao que deve ser feito com este ou aquele papel. “O papel (documento) tem quatro destinos, como dizem os especialistas em gestão de trabalho: resolver o assunto nele contido, passá-lo adiante, guardá-lo ou jogá-lo fora. Quando um papel volta às nossas mãos, pode ser por falta de decisão nossa”, diz Leila, complementando que mesas de trabalho organizadas precisam apenas de um telefone, uma agenda, um porta-lápis, um bloco de notas e pastas para conter os documentos de trabalho.

Mesmo no quesito “guardar papéis”, Leila aponta uma pesquisa realizada pela universidade de Georgetown nos EUA, comprovando que 85% dos papéis guardados não serão mais consultados e que cerca de 30% dos documentos importantes de uma empresa são perdidos por terem caído na lixeira dos funcionários mais ‘bagunceiros’, e que essa organização mínima poderia evitar uma perda de tempo incrível no trabalho e em muitas outras áreas da vida.

A psicóloga termina dizendo que essa organização deve ser levada em todas as áreas: “Se a pessoa perder 10 minutos todas as manhãs para definir suas tarefas, acertar quais coisas ficam em sua mesa de trabalho para serem decididas naquele dia e verificar as prioridades, o tempo flui melhor. Essa é a versão do século XXI daquilo que nossos pais diziam sobre ‘arrumar as coisas da escola para o dia seguinte’”.

 
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