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Cadê a banda larga que estava aqui?

A Internet brasileira ganha o título de “lenta, falha e cara”, trazendo prejuízo ao bolso, ao tempo produtivo e à paciência dos usuários

Rita Palladino/ Press e Mídia

Quando as “Teles” foram privatizadas, lá pelos idos de 1998, os brasileiros, que ficam felizes com pouco, esfregaram as mãos de satisfação pensando: “Oba! Agora teremos telefones ótimos e em quantidade, internet rápida e preço baixo”.

Onze anos depois, já desiludidos, os brasileiros estão entre a panela e a frigideira com relação aos serviços de comunicação à distância, tendo de optar não pelo melhor, mas pelo “menos pior” entre o que está sendo oferecido no mercado.

Nestes 11 anos vimos tecnologias nascerem e morrerem à velocidade da luz, o número de telefones (fixos e celulares) crescerem em progressão geométrica e a internet de banda larga tem hoje 11 milhões de usuários, dos quais 60% estão na região Sudeste (40% apenas em São Paulo). Mas o que nunca aconteceu, e foi muito prometido, foi a entrega de um serviço bom a custo adequado.

André Felipe Serrano, web designer, já passou pelos mais diversos sistemas e operadoras, sendo hoje usuário de internet a cabo e se declarando um desafortunado. “Tive Speedy por pouco mais de um ano e, além de ser obrigado a aceitar um plano em que tinha de pagar caro (cerca de 180 reais) por um pacote com provedor de acesso, a assinatura de um telefone, que eu não usava, pois já tinha fixo de outra operadora, e o modem de 256 kbps, vivia tendo problemas com a internet que caía ao menos três vezes por semana”, diz André, afirmando que este não foi o final de seu suplício.

De acordo com ele, foram meses a fio reclamando na companhia, na agência reguladora (Anatel), que levou a um cancelamento do serviço a à troca por uma tecnologia 3G (banda larga móvel), iniciando a segunda parte da saga.

“No começo tudo ia maravilhosamente! Troquei um serviço que me custava muito caro e eu não tinha nada por um que pagava menos da metade (cerca de 80 reais no início) por um modem de 1 mega e um pacote no qual eu não precisava pagar provedor etc. Mas eles não avisaram que para fazer downloads ou uploads eu teria de esperar mais tempo do que se estivesse usando internet discada”.

Após mais um calvário de queixas, com horas e mais horas perdidas em ligações para o call center da operadora e para a Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel, tempo e dinheiro perdido, agora ele faz uso de um modem a cabo que, segundo André, “ainda não apresentou problemas, mas não me iludo mais”. O designer afirma que com todos esses percalços e o tempo perdido com serviços ruins o fez perder clientes que “não querem saber de problemas, mas exigem soluções. O pior é ter gasto muito dinheiro com algo que não me serviu e me sentir refém do sistema, sem ter para onde correr”, conclui.

E ele tem razão em todos os aspectos. Os preços cobrados por esses serviços são muito altos. Em estados do Nordeste, um serviço (apenas a banda larga) de 1 megabyte chega a custar R$ 200,00, enquanto em alguns estados da Amazônia, por um pacote 40% mais lento, pode-se pagar até R$ 430,00.

A Anatel admite que a oferta do mesmo serviço a preços tão diferentes conflita com os princípios da Lei Geral das Telecomunicações, mas ‘pondera’ que serviços de banda larga são privados e as operadoras têm a liberdade de estabelecer preços e condições, mas, mesmo com a revisão do Plano Geral de Metas, feita em 2008, que espera levar a banda larga a todos os municípios brasileiros até o final de 2010, isso não inclui preços e, no passo em que as coisas andam, nem qualidade.

Muitos apontam para a falta de concorrência (que era o que se esperava com a privatização das Teles) para todos esses problemas da banda larga brasileira, com umas poucas empresas se gabando em comerciais de TV de fornecer “3 megabytes” como se isso fosse algo de outro planeta, mas nem estamos perto do ideal nesse setor. Silvana Pereira, executiva da TAP Air Portugal afirma não ter grandes problemas em seu país com relação a isso: “Podemos escolher entre umas 10 ou mais empresas e a internet móvel tem velocidade de 21,6 megabytes, custando em média uns 32 euros (cerca de R$ 80)”.

A União Internacional de Telefonia e Serviços Comutados considera como banda larga conexões acima de 2 megabytes, sendo que a velocidade média mundial é de 13 megabytes. Aqui no Brasil, menos de 10% dos usuários navegam acima de 2 megabytes e a maioria das operadoras não garante conexão plena. Nas letras miúdas dos contratos elas se comprometem a entregar 10% da velocidade contratada, já que pode haver “limitações técnicas” dos serviços.

Então, o que falta para termos uma internet decente, que não faça o usuário perder tempo de trabalho, nem dinheiro, nem a paciência? Falta investimento. De acordo com L.M., ex-prestador de serviços da Sercomtel, que pediu para não ser identificado, “a internet é como um cano de água. Quanto mais você divide entre as casas, menor o fluxo para cada uma delas. Precisamos de um ‘cano maior’, que venha desde a origem, para que a água jorre em todas as torneiras”.

Mas, enquanto isso não é feito, os usuários continuarão à mercê de uma banda larga (que parece mais estreita a cada dia) lenta, falha e cara.

 
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