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Produtividade & Tecnologia

Computadores de última geração não garantem produtividade

Embora algumas pesquisas sugiram aumento no desempenho proporcionado por melhorias tecnológicas, especialistas refutam ideia de que máquinas potentes são necessárias para bom rendimento no trabalho

Rodrigo Capelo/MBPress

A tecnologia evolui de maneira avassaladora. Todos os anos, empresas são obrigadas a trocar parte dos equipamentos obsoletos e substituí-los por computadores mais potentes – e caros. Investimentos como este, no entanto, podem não refletir na produtividade dos funcionários tanto quanto desejado.

Para medir o aumento no desempenho dos colaboradores, por exemplo, a Universidade de Utah, nos Estados Unidos, realizou uma pesquisa com o intuito de identificar como monitores maiores refletem na produtividade. O resultado mais gritante revela que pessoas com telas de 24 polegadas concluem tarefas com velocidade 52% superior às que utilizam monitores de 18 polegadas.

Isso não significa, entretanto, que máquinas mais modernas e potentes melhorem a performance dos funcionários. Segundo o consultor em tecnologia César Brod, diretor da consultoria Brod Tecnologia, essa relação direta não existe. “O computador tem de ser estável, estar livre de vírus e garantir o básico para os aplicativos utilizados pelo trabalhador”, explica.

Com exceção a profissões que exijam equipamentos de alta qualidade, como editores de vídeo ou gráficos, as características citadas pelo consultor são suficientes para garantir o bom desempenho dos funcionários.

Mais importante que as configurações da máquina, argumenta Brod, é a forma como o indivíduo a utiliza. “Quantos de nós não recebemos anexos a nossos e-mails pequenos textos produzidos com softwares de edição?”, questiona. De acordo com ele, o simples ato de enviar o recado no corpo da mensagem já economiza energia e torna o trabalho mais produtivo.

O que fazer, portanto, para otimizar a produtividade sem agredir as finanças da corporação? O especialista em desenvolvimento de sistemas Rafael Eduardo Kassner sugere o que ele chama de “tecnologia da informação verde”.

A ideia consiste em possuir um computador potente que provém acesso a outras estações de trabalho, tais como terminais “burros” (máquinas, conectadas a um servidor, que não processam dados, embora permitam utilização de monitor e teclado). “Com isso, seria necessário apenas um equipamento de bom desempenho, mas com capacidade de atender um número maior de pessoas”, justifica o desenvolvedor.

Kassner garante já ter testado o sistema ao conectar quinze pessoas em um único servidor. E, segundo ele, as atividades realizadas pelos colaboradores – navegar na internet, utilizar editores de texto e manter pequenos programas abertos – foram realizadas sem quaisquer travamentos ou lentidões. “Com isso, foi possível economizar no consumo de energia e em uma possível compra de equipamentos”, garante. “Máquinas de bom desempenho fazem a diferença para quem demanda, não para quem almeja.”

 
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