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Entediados com rotina de trabalho no lar, profissionais autônomos e pequenas empresas dividem espaço com pessoas desconhecidas. Novo no Brasil, conceito pode beneficiar desempenho
Rodrigo Capelo/MBPress
Com o crescimento desordenado das cidades e as complicações do trânsito, diversos profissionais ambicionam trabalhar em casa. O desejo de se tornar adepto do home office, entretanto, esbarra em algumas desvantagens, como a falta de colegas para interagir ou a dificuldade em distinguir vida profissional e pessoal.
A alternativa para resolver tais problemas, ainda nova no Brasil, chama-se Coworking. O conceito refere-se a indivíduos que, entediados com o isolamento do lar, dividem o mesmo ambiente de trabalho com outras pessoas, mas permanecem focados nos próprios afazeres.
Esses lugares podem ser ocupados por microempresas ou autônomos, como ocorre no Pto de Contato, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Os interessados alugam o espaço por um tempo determinado e têm à disposição sala de reunião, acesso à internet e secretária telefônica, entre outros serviços.
Para garantir que a interação entre os profissionais presentes ocorra da maneira adequada, existem diferenças entre os locais de Coworking. “Cada espaço possui uma ‘vocação’, que varia de acordo com o perfil do fundador”, explica o sócio-administrador do Pto de Contato, Daniel Zierz Fiker. “Quem trabalha aqui, de uma maneira ou de outra, está ligado à Comunicação.”
O estabelecimento, especializado em Coworking, surgiu após a tentativa fracassada da fundadora, Fernanda Nudelman Trugilho, de trabalhar no esquema home office. “Depois de três meses trabalhando em casa, ela quis subir pelas paredes. Então pesquisou, encontrou o conceito nos Estados Unidos e decidiu trazer para o Brasil”, revela Fiker.
Finanças x Produtividade
Dentre as quinze pessoas que costumam utilizar o Pto de Contato diariamente, Daniela França, sócia-diretora da Mona Cultural, agência especializada em cultura, garante estar extremamente satisfeita com o serviço.
A empresa está presente no local há sete meses, e os proprietários não pretendem mudar-se em um futuro próximo. “É um prazer trabalhar aqui, pois temos pessoas distintas, que acabam sendo complementares”, comenta.
Alugar o local, no entanto, demanda recursos financeiros. Mesmo assim, na visão de Daniela, o aumento na produtividade compensa o investimento. “Com certeza, trabalhar em casa requer menos dinheiro, mas ao mesmo tempo confere um nível de profissionalismo muito inferior”, justifica. A locação varia entre R$ 50 e R$ 500, dependendo da quantidade de horas e da periodicidade.
Funciona?
Com base nos relatos de Daniel Fiker e Daniela França, supõe-se que o Coworking é a solução mais indicada para aumentar a produtividade e a qualidade de vida dos home officers. Entretanto, é necessário analisar tais novidades com cautela, pois os resultados dependem do perfil do indivíduo e seus objetivos profissionais.
A ausência de um superior, por exemplo, é uma das características que mais chamam a atenção do coworker. Mas nem todos estão preparados para agir por conta própria. “Existem profissionais que precisam de um chefe para direcionar o rumo do projeto”, explica a consultora e psicóloga Patrícia Simões Sena Soares, diretora da consultoria de recursos humanos Promove RH.
O ambiente do Coworking, por motivos óbvios, também tende a ser bem menos silencioso que a tranquilidade do lar, o que pode gerar desconforto em algumas pessoas. E mesmo para os mais extrovertidos, a comunicação com outros profissionais em determinados horários pode ser prejudicial para o desempenho nas tarefas.
Para quem está indeciso sobre qual caminho seguir, o mais importante é avaliar se trabalhar em casa é de fato produtivo. “O home officer precisa administrar muito bem o tempo, organizar o espaço”, explica a consultora. “Se a pessoa não tiver essa noção e não souber gerir as obrigações, então talvez seja interessante partir para o Coworking.”
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