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Barcelona: exemplo de Gestão de Talentos

Autor: Flávia Muraro

 

O “negócio” futebol é um dos ramos que se mantem em ascensão, desconhecendo crise.

 

Vamos ao que aconteceu no domingo dia 18/12/2011, quando o Barcelona derrotou o Santos na final do mundial por 4 x 0. Devemos lembrar que o Santos é um grande time do considerado “pais do futebol”, o Brasil.

 

Vamos aos fatos: 9 dos 11 jogadores em campo foram formados no próprio Barcelona, o que demonstra uma forte aposta nas suas categorias de base. Com tantos jogadores de casa, o Barcelona consegue manter um estilo de jogo bem definido e um excelente entrosamento entre os atletas em campo. Enquanto alguns times já chegaram a pagar quase 100 milhões de Euros por um grande talento, os maiores craques do Barcelona são contratados a custo zero.


Como será que esse time consegue tamanho desempenho gastando muito menos que outros grandes clubes na contratação de grandes jogadores?

 

Devemos considerar que o Barcelona investe muito sim em seus atletas, porém o faz na formação de seus próprios talentos. Possui um centro de treinamento com estrutura de ponta. Para atletas que vem de fora da Espanha, o clube proporciona toda a assistência e providencia transporte e hospedagem para a família, pois considera a estrutura familiar extremamente importante na formação dos craques. Na Espanha, o time é o que paga melhores salários aos craques. Além disso, o Barcelona faz dos jogadores os maiores divulgadores da sua cultura “mais que um clube”. Alguns valores como perseverança, sacrifício pessoal e espírito de equipe são passados para os futuros craques desde meninos, coisa que não seria possível transferir a um jogador maduro contratado a peso de ouro.

 

Isso tudo denota um planejamento estratégico, com visão de longo prazo, que não costuma trazer resultados logo na primeira temporada.

 

Diferente de alguns clubes brasileiros, que também formam talentos, o time espanhol não o faz para o mercado, mas para o futuro do próprio time. Promove assim um estilo de gestão de talentos que poderia inspirar não somente outros clubes, mas também provocar uma reflexão para nós, profissionais gestores de pessoas nas organizações.

 

Antes de pensar que o futebol nada tem a ver com o mundo corporativo, o Barcelona já foi tema na revista The Economist com o título: “Os segredos de Gestão do Barcelona”. Nessa matéria é citado um admirado pesquisador, Boris Groysberg, da Harvard Business School, que critica a obsessão das empresas em contratar estrelas, ao invés de desenvolver equipes. Groysberg conduziu uma grande pesquisa que demonstrou uma imediata queda de desempenho quando analistas mudam de uma empresa para outra, sugerindo que seu sucesso depende tanto de seus talentos inatos quanto de seus companheiros de equipe.

 

No Barcelona, em contato com outros jogadores excelentes, cada craque fica melhor ainda, criando uma sinergia ente eles.

 

Algumas reflexões:

 

Será que estamos investindo da melhor maneira nos talentos internos?

 

Quando investimos, porque será que eles abandonam seus “investidores” por um bônus de contratação (as famosas “luvas”) ou um salário 20% maior?

 

Recente pesquisa mostra que, na América do Norte e Ásia apenas 15% das empresas acreditam ter um número de sucessores qualificados.

 

No momento em que o esporte ensina muito às empresas, onde temos palestrantes que cobram milhares de reais para falar para uma plateia de executivos, como Bernardinho e Oscar, temos muito o que aprender com esse sistema de gestão.

 
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