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O espírito de equipe

Rita Palladino/ Press & Mídia


Algumas situações estão se tornando redundantes dentro da maior parte das organizações. Toda vez que a situação fica difícil e que se deseja melhorar as coisas, mas não se tem ao certo o que fazer para que as coisas aconteçam, ouve-se o bordão: “Precisamos melhorar o espírito de equipe!”


“O problema é que muitos gestores se agarram a esse bordão como se isso fosse resolver todos os problemas. Parece que as pessoas são o grande fator de desajuste nas empresas e, bastaria apelar para a consciência de uma condição intangível, para evitar a fragmentação”, explica o consultor e administrador de empresas Ricardo Nogueira, continuando: “Mas, nos dashboards corporativos, não devemos esquecer que pessoas são apenas uma parcela do todo. Também existem processos e ferramentas do modo produtivo que, se não forem adequadas, produzem mais problemas que soluções. Sem deixar de lado, é claro, que existem redes relacionais de interação entre estas três partes e que compõe um cenário dinâmico”.


O consultor afirma que, quando se fala em team building, deve-se ter em mente não apenas indivíduos e seus supostos gaps, mas sua maneira de atuar na corporação, incluindo aí a instância crítica do comportamento frente a estas divisões.


“É claro que uma organização depende da união de esforços, visando um fim produtivo e útil (embora poucas realmente cumpram este papel), mas a pressão rotineira por metas e resultados, frente à maneira pela qual são feitas as coisas também determina os resultados alcançados. Isto significa que as ações, em qualquer profissão, precisam de um sentido claro, que oriente todo o trajeto de esforços diários”, diz Ricardo.


O consultor explica que muitos gestores se esquecem de levar em conta a trajetória de vida de sua equipe, que pode incluir desde a formação educacional e cultural deficitária, até as crenças, valores e necessidades diferentes da corporação e que também devem ser consideradas na equação. “Mas, quando as coisas desandam, a tendência de muitos gestores é de colocar a culpa na equipe”, diz o especialista.


“Entretanto, isso não significa que não se deva incentivar o espírito de equipe. É saudável mexer com o pessoal. Com uma comunicação aberta, uma disposição permanente para alinhar processos, melhorar ferramentas, instituir práticas democráticas, melhorar a delegação e permitir a flexibilidade no exercício das funções. Não basta apenas chamar a atenção ou colocar cartazes pedindo a colaboração. É preciso atentar para tudo o que facilite o exercício das capacidades individuais e uma atuação criativa e saudável de cada um”, continua.


De acordo com Nogueira, é preciso criar ambiente para a expressão humana e adequar as disciplinas. “Não adianta cobrar posturas proativas e esquecer que as pessoas têm suas deficiências para acertar e que deveriam ser levadas em conta, antes de elas serem acusadas de todos os problemas da organização”, diz.


“Voltando ao ponto do espírito de equipe, sabemos que é essencial para o alcance do sucesso. Uma equipe participativa, homogênea, coesa, vale mais do que um batalhão de pessoas com posicionamentos isolados. Isso vale para qualquer área da vida, especialmente a profissional. Mas, se apenas obrigarmos as pessoas a entregar toda sua capacidade produtiva, desprezando fatores como humanidade e dignidade, nós teremos apenas profissionais que só entendem a organização como fonte de renda e espaço ocupacional compulsório. Assim, não há espírito de equipe que vença”.

 
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