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Rita Palladino/ Press & Mídia De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 10% da população economicamente ativa do Brasil que vive nas áreas urbanas e tem mais de 18 anos está desempregada. Assim como as demais pesquisas que tratam de trabalho no País, o IPEA considerou como desempregadas as pessoas que declararam não ter exercido qualquer atividade remunerada, mas também ter procurado emprego na semana de referência da pesquisa.
Este trabalho do IPEA faz parte do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), que é voltado para que o Estado e a sociedade façam concepção, implementação e avaliação de políticas e estratégias. O levantamento foi realizado ao longo do segundo semestre do ano passado com questionamentos a 2,773 milhões de pessoas de todos os estados.
Do total de pessoas inativas consultadas, 29% do total, o Instituto detectou que pelo menos 31,3% deles nunca procuraram emprego, com 88% deste grupo sendo composto por mulheres. "Podemos dizer que já esperávamos isso, uma vez que elas ainda costumam participar menos do mercado de trabalho que os homens. Ainda assim, o fato de a proporção de mulheres que nunca procuraram trabalho aumentar com a idade é sintoma de que a atual geração participa mais do mercado de trabalho do que as gerações anteriores", explicaram os técnicos do instituto no documento distribuído à imprensa.
Ainda de acordo com o relatório, as mulheres, em média, estão há mais tempo na inatividade que os homens. Para o técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, Bruno Marcus Amorim, que apresentou o documento, “os dados relativos às mulheres mostram mais um sintoma da mudança no mercado de trabalho, com aumento progressivo da entrada de mulheres nas últimas décadas. De forma geral, as mulheres têm tempo de inatividade maior do que os homens”.
Já entre os homens, ocorre o inverso em relação à idade. Isto é, quase todas as pessoas que nunca procuraram emprego estão entre os mais jovens. "A hipótese mais comum para explicar tal fenômeno é que os homens mais jovens estariam se dedicando mais aos estudos", diz Bruno.
O estudo mostra que cerca de 45% dos desempregados procuram trabalho há mais de seis meses. Outros 25% estão há mais de um ano procurando trabalho. E cerca de 54% da massa de desempregados são jovens entre 18 e 29 anos.
Para Bruno Amorim, essa situação, além de demonstrar que o Brasil está longe do pleno emprego, é preocupante porque representa risco de uma perda de habilidades e vínculos profissionais.
Quanto ao acesso à renda, o estudo revela que a maioria dos trabalhadores informais não recebe um terço de salário nas férias nem 13º terceiro salário, enquanto entre os trabalhadores formalizados cerca de 97% recebem seus direitos trabalhistas em dia.
Cerca de 18% dos trabalhadores formais entrevistados afirmaram que o valor de seu salário não é registrado corretamente na carteira de trabalho, número considerado elevado pelos pesquisadores.
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