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Força de trabalho e consumo

Mulheres da classe C estão mais instruídas, são mais consumistas, mas também trabalham mais por suas carreiras

Rita Palladino/Press e Midia

A mulher como força do mercado de trabalho é um fenômeno que começou por necessidade financeira ou por grito de independência feminista no pós-guerra e neste século XXI é uma realidade. Hoje vemos as mulheres disputando os postos de trabalho em “quase” igualdade com os homens.

Mas esse fenômeno, iniciado entre as mulheres das classes A e B que tinham mais escolaridade e que, na verdade, foi apenas a busca por remuneração (porque as mulheres sempre trabalharam muito duro em seus lares), hoje é uma característica da força feminina de trabalho da classe C, a chamada classe média brasileira.

Um estudo do Data Popular, uma consultoria especializada em estudos relacionados às faixas com menor poder aquisitivo mostra que a busca por produtos de limpeza multiuso, alimentos semi-prontos e refeições fora do lar cresceram devido à emancipação de mulheres vindas de famílias com renda entre quatro e dez salários mínimos.

Hoje, entre as 96 milhões de brasileiras, 80,6 milhões estão nas classes C, D e E, e, de um modo geral, já apresentam diferenças em nível de instrução, tendo mais escolaridade do que os homens da mesma faixa sócio-econômica. E o estudo mostra também que, enquanto 10% das mulheres da classe A têm instrução superior ao de suas mães, na classe C esse nível sobe para 68%.

Essa busca por mais instrução mostra uma tendência: as mulheres da classe C estão mais interessadas em suas carreiras e querem manter a competitividade, enquanto que as mulheres da classe A parecem ter um crescente interesse em voltar a cuidar da casa, do marido e dos filhos.

Um caso típico é o de Marília Floriano, secretária, que ficou anos cuidando da casa e, por necessidade voltou ao trabalho. “Voltei a trabalhar por necessidade financeira, mas percebi que havia perdido muito ao cuidar só do meu lar. Hoje não apenas ganho mais que meu marido, como voltei a estudar para crescer na carreira e tenho outros objetivos que vão além das necessidades da minha família”.

No Brasil 30% dos domicílios são comandados por mulheres. Nas classes A e B 25% da renda familiar vêm do salário feminino e na classe C o número sobe para 41%. E, com esse crescimento, outras características mostram mutações. De acordo com o estudo do Data Popular, as mulheres da classe média estão mais interessadas nos problemas políticos (70,3%); são mais vaidosas (79,2%); mais consumistas (91,7%), mas pesquisam mais o preço do que consomem (58,9%); têm menos tempo para a família (72%) e, pior, estão mais estressadas (59,6%).

Como o estudo tem por base verificar hábitos de consumo e mercado, é claro que não tem o objetivo de apontar para um ponto de equilíbrio, mas o terapeuta familiar José Eduardo Rodrigues aponta para os dois últimos pontos (falta de tempo familiar e estresse) e faz um alerta: “É preciso buscar um ponto de equilíbrio. Competitividade é bom, mas não pode se transformar no único moinho de vento a se vencer. Precisamos nos dividir melhor entre trabalho, estudo e vida pessoal, senão acabamos perdidos”, conclui.

 
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