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Redução de Jornada X Horas Extras

Enquanto se discute uma emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho, os brasileiros estão fazendo mais horas extras

Rita Palladino/ Press e Mídia

A Comissão especial da Jornada de Trabalho da Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou, em 1º de julho passado, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Mas a Proposta de Emenda Constitucional 231 (que será aditada à Constituição de 1988) ainda deverá ser aprovada na Câmara e no Senado antes de vigorar.

Entretanto, com emenda ou sem, nos últimos 20 anos a jornada de trabalho dos brasileiros (não de todos, é claro!), foi reduzida em 10,7% em média segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O relatório diz que as 44 horas trabalhadas em 1988 foram reduzidas para 39,4 em média, porque há variações entre os estados.

Por outro lado, a cultura da hora extra continua forte no País. O programa Profissão Repórter fez um levantamento que apontou o número de 26 milhões de brasileiros que têm mais de um emprego ou fazem horas extras em seus trabalhos. Isso é respaldado por pesquisa feita pela Unicamp, que apontou que 37% da população economicamente ativa estica a jornada de trabalho bem além das 44 horas semanais.

No ranking mundial de horas trabalhadas, publicado anualmente pela Organização Internacional do Trabalho, em 2007 o Brasil aparecia em 8º lugar, com 2005 horas por ano, vencendo até o Japão, com suas 1988 horas/ano.

Mas porque as pessoas estão trabalhando mais? O assistente de RH Lourival Medeiros aponta, entre outros fatores, a competição instalada no mundo corporativo, mas diz que isso não é tudo. “Na verdade todos fazemos isso pelo dinheiro extra. Mesmo que não estejamos endividados, é bom ter um dinheiro a mais para trocar o carro ou fazer uma reforma na casa. Eu mesmo tenho trabalhado umas 12 horas por dia por conta de umas reformas, mas isso já me rendeu o título de funcionário do mês”, diz o assistente entre risos.

E nessa “esticada” de jornada de trabalho, sobra para todos os escalões, do ajudante geral aos executivos. De acordo com Luiz Fiúza, da Luksnova Solventes, todos acabam fazendo turnos de até 60 horas semanais para cumprir prazos, até mesmo ele, que ocupa um cargo de confiança na empresa, mas na questão da remuneração extra ele é enfático: “Não deixo minhas horas extras de graça para a empresa. Exijo que sejam calculadas corretamente. Não é porque meu cargo é maior que deixo de ser funcionário da corporação. Se estou trabalhando mais horas do que as exigidas no meu contrato, então minha remuneração também deve ser maior”.

 
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