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Saúde

A hora da soneca

Mais do que repor energias, o sono serve para fazer nosso cérebro funcionar melhor

Rita Palladino/Press e Mídia

Há uma propaganda passando na TV, na qual um chefe vê um de seus funcionários tirando uma soneca sobre a mesa de trabalho. Sob os olhares atentos e apreensivos dos outros funcionários ele se aproxima e apaga a luz sem interromper o descanso do rapaz. Aparece uma frase na tela com os dizeres: “Uma soneca de 15 minutos aumenta a criatividade”.

Esta não é a primeira vez (nem será a última), na qual se dá destaque à importância do sono para as funções cerebrais e orgânicas dos seres vivos. Dormir bem é fundamental para a saúde, afinal a falta desse repouso provoca irritabilidade, falta de atenção, perda de memória e mau humor, além de prejudicar os processos de aprendizagem e cognição do cérebro.

De acordo com uma pesquisa publicada no jornal Zero Hora, que entrevistou executivos em São Paulo e Porto Alegre, 41% sofrem de algum distúrbio do sono, causado por estresse no trabalho, ou por causas fisiológicas que precisam de tratamento.

Um estudo realizado na Universidade de Chicago (EUA) com 50 pessoas com idades entre 18 e 27 anos, que foram impedidas de dormir mais do que quatro horas por noite durante seis dias, mostrou que ao final do experimento o organismo delas tinha o funcionamento semelhante ao de uma pessoa de 60 anos.

Mas, mais do que dizer o que pode acontecer sem uma boa noite de sono, ou dar dicas sobre a necessidade de dormir, a ideia é alertar para a importância que o sono exerce sobre a mente. A Dra. Maria Gorete dos Santos, especialista em distúrbios do sono, é taxativa em afirmar que áreas importantes como memória, aprendizado, criatividade, agilidade etc. estão intimamente ligados a um sono reparador.

“O sono desempenha um papel fundamental na apreensão de conhecimentos que envolvem o desempenho de tarefas como desenhar, memorizar um livro, andar de bicicleta ou dirigir. Como um jogo de montar, é no sono que o cérebro revisa o aprendizado do dia, encaixa as informações nos lugares certos e as grava em forma de memória permanente”, diz.

A médica explica ainda que o sono divide-se em cinco fases:

* A primeira é a do ‘quase acordado’, na qual a mente ainda não se desligou do ambiente;
* Na segunda, que dura uns 5 minutos, o sono é leve e serve como transição para o repouso mais intenso;
* A fase três, que dura uns 40 minutos é quando o cérebro começa mesmo a trabalhar, transferindo os arquivos temporários apreendidos durante o dia do hipocampo para o córtex, onde se armazenam as memórias;
* A quarta fase também é intensa e é nela que as funções orgânicas estão ativas, ajudando a cicatrizar ferimentos e coisas assim
* Já na quinta, chamada de REM (Rapid Eys Moviment) é a fase de troca de informações entre o hipocampo e o córtex só que então o que se focaliza é o aprendizado de habilidades. É a fase que nos ajuda a resolver problemas que toda a concentração de um dia inteiro de vigília é incapaz de conseguir.

É claro que não precisamos chegar ao exagero de tirar uma soneca no local de trabalho, mas precisamos ao menos tentar dormir bem para conseguir desempenhar bem nossas tarefas.

 
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