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A tecnologia necessária

O que fazer quando precisamos da tecnologia, mas nada funciona?

Rita Palladino/Press e Mídia

Não adianta negar. As pessoas dependem cada vez mais da tecnologia. Seja aquela que é responsável pela transmissão de energia elétrica, que chega às casas e empresas; seja a que transporta pessoas de uma parte a outra; seja a que torna a vida mais fácil e rápida, como máquinas de lavar etc. Mas, nos dias de hoje, a tecnologia que faz com que o mundo se comunique à velocidade de um clique é a que se destaca.

Em pleno século XXI, é inimaginável ficar sem TV, Telefone ou Internet, mas o que acontece quando se fica sem as três coisas ao mesmo tempo? Parece o caos, porque todos se acostumam a ter isso à mão, do mesmo modo que se acostumam a ligar o comutador e acender a luz, ou abrir a torneira e sair água dali.

Entretanto, com as falhas de investimentos em manutenção, essas “ausências” de comunicação estão acontecendo com mais frequência do que se imagina. “A maioria das empresas provedoras dessas tecnologias não faz, ou faz muito raramente, manutenções preventivas. E vêm as chuvas de verão, com ventos e raios que derrubam torres de transmissão, queimam aparelhos e tiram tudo do ar”, diz o técnico eletrônico Ernani Nascimento, comentando que consertou diversos computadores afetados por quedas de raios, que chegaram aos aparelhos através do cabo de conexão.

“Dos meus clientes usuais, cerca de 10 moradores de uma mesma região ficaram sem internet, TV e telefone, pois seus ‘pacotes’ contemplam os três produtos e se um cai, os outros vêm atrás, como um efeito dominó”. Ele comenta que por cerca de 24 horas uma região inteira ficou fora do ar: eram telefones sem linha, skypes sem utilidade por conta da falta de conexão do computador etc.

Marco Aurélio Miranda usa o computador de seu escritório em casa para trabalhar e precisa da internet o tempo todo, mas sentiu no sábado, dia 9 de janeiro, o problema de colocar todos os ovos em uma mesma cesta, ou, no caso, nas mãos de um provedor único: “Fiz um desses pacotes que englobam todos os serviços e fiquei na mão. Por quatro dias não tive TV, Internet ou telefone. Só tinha o celular. E o pior é que o problema atingiu todo o meu bairro e a cada vez que um de nós ligava para ver em que pé andava o atendimento, ouvíamos uma história diferente”.

Marco alega que as perdas acumuladas por não ter como trabalhar demorarão a ser recuperadas. “Sem comunicação não há como”, diz ele, complementando: “O pior é que ficamos nas mãos de alguns técnicos terceirizados por essas empresas que mal sabem qual é o problema. No meu caso tiveram de substituir o modem e a conexão de TV, mas como foram muitos com problemas similares, ninguém diz quando será essa troca”.

O técnico Ernani vai além, e diz que as perdas são grandes para os usuários, porque “a maioria desses prestadores de serviço gosta de por a culpa nas chuvas, nos raios etc., mas isso é inaceitável. Estamos em um país com a maior incidência de raios no mundo; estamos no verão que, como todos os anos, traz muitas tempestades com ventos fortes e até chuvas de granizos. Ora, será que somos todos tão incompetentes que não conseguimos criar uma solução tecnológica que não seja tão afetada pelo clima?”

Ele conclui dizendo que, enquanto ficarmos repetindo as mesmas soluções que não funcionam, as mesmas desculpas de todos os anos, os pobres usuários ficarão incomunicáveis em plena era da comunicação.

 
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