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Avareza é útil?

ESPECIAL
“Os Sete Pecados Capitais,
a Produtividade e a Gestão do Tempo”

Avareza, Gula, Inveja, Ira, Luxúria, Preguiça e Soberba. Os sete pecados capitais estabelecidos pelo catolicismo constituem princípios que não devem ser feridos para que a boa relação entre os homens exista. É possível aplicá-los ao ambiente corporativo? Confira neste especial de sete matérias quais são as consequências que essas características geram na carreira profissional e saiba como evitar que elas prejudiquem a sua produtividade

Conforme as circunstâncias, excesso na contenção de gastos pode ser benéfico para produtividade da empresa. Atitude, no entanto, não corresponde à Avareza, segundo especialistas. Entenda a diferença entre desperdício e avaro


Rodrigo Capelo/MBPress
“E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância que possui” (Lucas 12:15). Este trecho da Bíblia sintetiza o princípio da Avareza. Amplamente criticada pelo Catolicismo, ela constitui a gana por dinheiro. No ambiente corporativo, contudo, ela pode ser encarada como uma qualidade?

Necessariamente, não. A Avareza, na verdade, está ligada a um comportamento mais complexo: manter tudo o que se possui a qualquer custo. Por esse prisma, não se considera somente o dinheiro, mas também a sabedoria. “Se o avarento não compartilhar o conhecimento e as ideias, ele prejudicará a empresa”, explica a consultora Gisela Kassoy, especialista em criatividade e inovação.

Além desses capitais, econômico e financeiro, o indivíduo também se abstém de demonstrar sentimentos. “Eles não expressam contrariedade quando veem algo errado, nem felicidade por ter alcançado resultados”, afirma o psicólogo e consultor Gerson Correia, sócio-diretor da consultoria Talent Solution. “A pessoa torna-se solitária, menos participativa.”

A Avareza, contudo, pode ser interpretada de maneira positiva. Ela é, provavelmente, o único dos Sete Pecados Capitais que possui a capacidade de gerar benefícios aos profissionais. A melhor forma de compreender como ela age, argumenta Correia, é analisar os resultados. “Se em determinada situação o gestor precisa economizar, então o avarento é mais contido, arrisca menos, e isso é uma qualidade”, justifica.

Principalmente em momentos de crise econômica mundial, essa característica pode tornar-se valiosa. “Ser mais comedido, ter restrições a gastos, esse é o ambiente do avarento”, completa o psicólogo. Tal comportamento, portanto, pode elevar a produtividade da empresa por meio do melhor custo-benefício.

É necessário, no entanto, distinguir o avaro do desperdício, sobretudo em tempos de dificuldades. Conter as despesas para obter melhores resultados, desde que a atitude seja oriunda de estudos a respeito, é uma prática saudável para a corporação, segundo Gisela Kassoy.

Quando, por outro lado, os cortes surgem do sentimento da Avareza – e não para eliminar desperdícios –, a atitude, na opinião da consultora, é prejudicial à corporação e ao profissional. “Deve-se refletir sobre o que será cortado, se afetará na qualidade do produto”, prossegue. “Se prejudicar, isso tem de ser avaliado racionalmente, e nunca partindo da Avareza.”

 
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