|
ESPECIAL “Os Sete Pecados Capitais, a Produtividade e a Gestão do Tempo” Avareza, Gula, Inveja, Ira, Luxúria, Preguiça e Soberba. Os Sete Pecados Capitais estabelecidos pelo catolicismo constituem princípios que não devem ser feridos para que a boa relação entre os homens exista. É possível aplicá-los ao ambiente corporativo? Confira neste especial de sete matérias quais são as consequências que essas características geram na carreira profissional e saiba como evitar que elas prejudiquem a sua produtividade |
Apesar de ser moralmente contestável, apelo sexual não é prejudicial à produtividade no trabalho, conforme afirmam especialistas em comportamento. Entretanto, profissional deve evitar armadilhas, ou pode criar relações frágeis com os colegas
Rodrigo Capelo/MBPress
Aparentemente, a Luxúria é o Pecado Capital que está menos relacionado ao trabalho. O significado original, ligado à lascívia e à sensualidade, possui conotação muito mais condizente com desejos sexuais insaciáveis do que às dificuldades da rotina profissional. No entanto, ela está presente e afeta a produtividade de maneiras distintas.
De acordo com a interpretação dos Sete Pecados Capitais feita em janeiro de 2001 por Olga Colpo, à época sócia-diretora da Pricewaterhouse Coopers, a Luxúria está presente em funcionários que utilizam o poder de sedução para conseguir cooperação. Com isso, o profissional constrói relações frágeis e interesseiras.
Isso não significa, entretanto, que o indivíduo vá produzir menos. Para a psicóloga clínica Anaxandra Martins, a troca de favores entre profissionais – sexuais ou não – não é prejudicial à produtividade. “Esse comportamento não demonstra que a pessoa é um mau profissional”, explica. “Significa apenas que ela é manipuladora e não tem escrúpulos.”
Certamente, quando tais atitudes são facilmente notadas pelo grupo de trabalho, as consequências quase nunca são positivas. Contudo, segundo a especialista, a Luxúria não é um pecado repudiado pela sociedade. “Ela se mantém porque é aceitável. As pessoas cometem tanto que acham que é normal”, argumenta Anaxandra. Para ela, esta é uma questão cultural.
Para compreender as causas desse tipo de comportamento, faz-se necessária a análise do passado do indivíduo, principalmente no período da infância. Os motivos que geram hábitos exacerbados normalmente são inconscientes e remetem a carências infantis, de acordo com o psicanalista Luiz Augusto Pinheiro.
Segundo hipótese criada por ele, quando a criança é privada de afeto no momento em que ele é mais importante – até os cinco anos de idade –, a formação da personalidade é danificada. “Essa insatisfação afetiva faz com que ela, quando adulta, busque o suprimento dessa carência de qualquer jeito, seja no trabalho ou fora dele”, exemplifica.
Outro motivo que poderia ser o causador da Luxúria nesse aspecto é o sexo do indivíduo. Em estudo recente divulgado e ratificado pelo Vaticano, comprovou-se que a lascívia é o Pecado Capital mais presente entre os homens. A possibilidade, no entanto, é rechaçada por Pinheiro. “O sexo não determina o perfil psicológico”, finaliza o especialista.
|