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Gustavo Cerbasi

Escolha sua corretora

Nova reunião do Comitê de Política Monetária e com ela nova redução na taxa básica de juros, agora em 15,75% ao ano. Para os brasileiros acostumados com os altos níveis de rentabilidade sem risco dos últimos anos, as taxas líquidas próximas a 1% já incomodam. Na carona dessa depressão nos ganhos, cresce a procura pelos investimentos em ações, fundos de ações e clubes de investimento.

As ainda elevadas taxas de administração dos fundos, somadas a estratégias demasiadamente conservadoras ou passivas de gestores de fundos dos grandes bancos abriram espaço para o intenso crescimento do número de clubes de investimento e do interesse por carteiras próprias de ações. Com isso, prosperam os negócios das corretoras de valores, tanto pelo aumento do número de investidores quanto pela multiplicação do número de clubes de investimento.

Abrir uma conta em corretora é muito mais simples do que os ainda leigos imaginam. Há uma burocracia inicial, muito parecida com a abertura de conta em banco – incluindo a informação de dados pessoais e patrimoniais – mas uma vez aberta a conta, a rotina para movimentação de recursos é bastante simples e segura.

A dúvida mais recorrente é quanto à segurança de manter recursos confiados à corretora. Esta dúvida não procede, pois a corretora não é como um banco, que fica com seu dinheiro enquanto você aplica em um CDB. Ela simplesmente faz a intermediação de recursos, recebendo seu dinheiro e comprando os títulos solicitados, sejam ações, títulos públicos ou contratos futuros. O que fica para a corretora é a taxa de corretagem, remuneração pelo serviço prestado. Seu dinheiro não fica em lugar nenhum, pois não está aplicado. Através de corretoras você “compra” títulos, que ficam custodiados na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Além disso, vale lembrar que corretoras são empresas que prezam muito por sua integridade, e são todas fiscalizadas pela bolsa em que atuam.

Para iniciantes, abrir conta em uma corretora de valores vinculada a um grande banco é alternativa bastante interessante, pois empresas deste tipo mantêm relatórios completos e regulares e uma organização interna diferenciada, com maior preocupação em informar detalhadamente as características de desempenho dos ativos investidos. Em caso de dúvidas, o atendimento costuma ser ágil, apesar de bastante impessoal.

Os pontos fracos das corretoras vinculadas aos grandes bancos estão no maior preço de corretagem e na confusão gerada pela percepção de que o cliente investe em uma única instituição. Bancos não são corretoras, e por isso não é possível comprar ações ou abrir um clube de investimentos em um banco. Invariavelmente, correntistas interessados em investir em ações são atendidos por gerentes de conta sem a devida formação ou conhecimento, o que acaba por burocratizar os processos de abertura de conta e investimento e desestimular a continuidade dos investimentos em ações.

A atitude mais adequada para quem quer começar a analisar alternativas de investimentos em renda variável é contatar diretamente a corretora, sem intermediação do banco. Ganha-se em tempo, em qualidade das informações e em isenção quanto às recomendações de investimentos.

Dentre as corretoras desvinculadas de bancos, as características de atuação de cada uma delas são bastante distintas. Algumas – geralmente as maiores – orientam seus investidores e seus clubes de investimento segundo estratégias de longo prazo, baseadas em análises fundamentalistas (pouco especulativas) e com bons estudos de ações de empresas mais conhecidas e de maior liquidez. Nem sempre as taxas de corretagem das grandes corretoras é menor que as das corretoras vinculadas aos grandes bancos. Muitas corretoras também oferecem bons fundos de investimento, em muitos casos mais eficientes que aqueles oferecidos pelos bancos para clientes que têm poucos recursos.
Investidores mais experientes geralmente procuram corretoras menores, em busca de taxas de corretagem fixas e reduzidas – bom negócio para quem opera grandes volumes – e de sistemas de informação e acompanhamento de carteiras que são oferecidos para seus correntistas. O preço que se paga por atuar com empresas de menor porte é o do comprometimento da qualidade, às vezes deixando a desejar na regularidade dos extratos e na qualidade das informações obtidas.

Para um mercado que começa a se popularizar, até que já é possível encontrar muita informação na internet. O ponto de partida é o site da Bolsa de Valores de São Paulo (www.bovespa.com.br) , onde estão listadas todas as corretoras de valores e os links para suas páginas na web. Como na contratação de um banco, não custa fazer uma pesquisa antes de abrir uma conta. Muitas corretoras costumam convidar o potencial cliente a conhecer sua estrutura. É a oportunidade de aprender um pouco mais.



Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e professor da Fundação Instituto de Administração, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, ambos pela Editora Gente.
 
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